Força de trabalho em queda assinala dificuldade de recuperação do mercado de trabalho em meio à pandemia

PUBLICADO EM 22 Jun 2021

O IBGE divulgou, em 27 de maio de 2021, os dados da Pnad Contínua referente ao 1º trimestre de 2021. Os resultados de um ano após o início dos efeitos da pandemia da Covid-19 mostraram que ainda são adversas as condições do mercado de trabalho capixaba, embora para a média do Brasil o cenário esteja pior, como revelam os dados.

Na comparação contra o mesmo trimestre do ano anterior, foram sucessivos os recuos da população na força de trabalho desde o 2º trimestre de 2020. A redução da força de trabalho foi mais intensa para o Brasil (Gráfico 1) do que para o Espírito Santo (Gráfico 2), apesar da tendência de suavização destes recuos em ambos os casos.

A força de trabalho é composta pela população ocupada somada à população desocupada e que está à procura de trabalho. A queda na força de trabalho foi explicada pelo recuo da população ocupada, em maior medida, do que pelo aumento da população desocupada. Para o Espírito Santo, o recuo de 2,3% da força de trabalho frente ao 1º trimestre de 2020 foi explicado pela retração de 4,2% da ocupação. Já para o Brasil o recuo da ocupação foi ainda maior, de 7,1%.

A redução da população ocupada está relacionada aos efeitos adversos da economia sobre o mercado de trabalho. Atividades como as de alojamento e alimentação e de serviços domésticos, intensivas em mão de obra informal, foram bastante impactadas pelas necessárias medidas de isolamento para a contenção da pandemia. No Espírito Santo, estes dois setores foram os que mais perderam ocupações em relação ao 1º trimestre de 2020, respectivamente 16,8% e 16,3%, com mais de 50% destes recuos explicados pela perda de ocupações informais (Tabela 1). Em que pese os trabalhadores informais terem tido acesso ao auxílio emergencial, vale lembrar que estes trabalhadores não foram abrangidos por programas de proteção do emprego, por não serem assegurados pela legislação trabalhista.

A retração da força de trabalho evidencia a dificuldade do mercado de trabalho de se recuperar em meio à pandemia. A lenta recomposição de postos, devido às incertezas da economia, reduz as oportunidades disponíveis, afastando parcela da população da força de trabalho.

No Espírito Santo, a população fora da força de trabalho aumentou 12,0% frente ao 1º trimestre de 2020. Esta alta foi explicada pelo crescimento de 75,3% da população na força potencial de trabalho, isto é, daquelas pessoas não ocupadas mas que gostariam de trabalhar, perfazendo um total de 164,2 mil pessoas nesta situação no estado. No país, a ampliação da população fora da força de trabalho foi ainda maior (+13,7%).

Rendimento

Para aqueles que permaneceram no mercado de trabalho, foram sucessivos os fortes recuos na massa salarial e no rendimento efetivamente recebido no trabalho principal na comparação interanual, verificados especialmnte a partir do 2º trimestre de 2020 (Gráfico 3). Fato que demostra a perda da renda do trabalho da população capixaba. A massa salarial estimada para o Espírito Santo, no 1º trimestre de 2021, foi de R$ 4,3 bilhões, com redução de 5,4% em relação ao mesmo trimestre de 2020. Esta redução é resultante do recuo da ocupação em 4,2% e da diminuição do rendimento médio real em 1,1%.

Maiores informações sobre o resultado do mercado de trabalho capixaba no 1º trimestre do ano podem ser conhecidos aqui.

Sobre o(a) editor(a) e outras publicações de sua autoria

Suiani Febroni

Economista graduada na UFES e mestre em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp. Atua como Analista de Estudos e Pesquisas na Gerência do Observatório da Indústria. Pesquisa temas relacionados à atividade econômica, mercado de trabalho e educação.