Mercado de trabalho formal do ES cria 3,9 mil empregos com carteira assinada em julho de 2021

PUBLICADO EM 26 Ago 2021

No dia 26 de agosto de 2021, a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho divulgou as informações do Novo Caged referentes à movimentação do mercado de trabalho formal no mês de julho de 2021.

No Espírito Santo, a movimentação do mercado de trabalho em julho resultou num saldo positivo de 3.946 postos formais de acordo com o Novo Caged. Essa é a diferença entre as admissões, que somaram 32.772 e os desligamentos, que totalizaram 28.826. Com esse saldo positivo, o Espírito Santo completa o sétimo mês consecutivo com criação de vagas formais, acumulando abertura de 33.877 empregos formais nos sete primeiros meses de 2021.

Com as novas vagas geradas no mês, o Espírito Santo totalizou estoque de 775.380 vínculos formais de trabalho, o que representa crescimento 0,51% em relação ao total de empregos registrados no mês de junho e de 4,57% na comparação com o total de postos formais do final de 2020. 

O mercado de trabalho formal brasileiro registrou a abertura de 316.580 vagas com carteira assinada em julho. No mês, foram registradas 1.656.182 admissões ante 1.339.602 desligamentos. Com isso, o saldo de contratações no acumulado do ano ficou positivo em 1.848.304 postos. 

Análise setorial

Entre os cinco grandes setores de atividade econômica, apenas a agropecuária fechou postos formais em julho no Espírito Santo, tendo encerrado 729 vagas. No mês, o setor de serviços (+2.366) puxou a abertura de vagas no estado, seguido por comércio (+1.789), construção (+465) e indústria geral (+55).

O principal motivo para o saldo negativo no setor agropecuário foi o fim do período de colheita de café, atividade agrícola relevante no Espírito Santo. Com isso, foram fechados 349 postos formais em cultivo de café em julho. 

Por sua vez, as atividades de serviços tiveram o seu saldo positivo em julho favorecido pelas novas contratações em restaurantes (+489) e nas atividades de transporte armazenagem e correio (+438). 

A indústria geral do Espírito Santo - que compreende indústrias da transformação, indústrias extrativas, energia e saneamento - continuou a abrir novos postos de emprego formal (+55) ainda que com menos intensidade em julho. Esse resultado advém do fechamento de vagas em atividades de energia e saneamento (-74) e na indústria extrativa (-32). Além disso, a indústria da transformação, responsável por cerca de 86% do total de empregos na indústria geral abriu 161 vagas formais, reduzindo o ritmo de contratações após abrir por dois meses consecutivos mais de mil novos postos formais. 

Na indústria da transformação, as atividades que mais abriram vagas foram: 

  • Confecções de artigos do vestuários e acessórios (+166);

  • Fabricação de produtos minerais não-metálicos (+129);

  • Fabricação de máquinas e equipamentos (+73). 

Em contrapartida, fecharam mais postos:

  • Manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-429);

  • Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-55).

Municípios do ES

Em julho de 2021, entre os 25 municípios capixabas com mais de 30 mil habitantes, 17 abriram postos formais. O maior saldo foi verificado em Vitória, com 968 novos postos de trabalho. Na sequência, Vila Velha (+956) e Serra (+585) também contribuíram para a abertura de vagas no estado em julho. Em Vitória, o saldo positivo foi, principalmente, influenciado pela abertura de vagas nas atividades de atenção à saúde humana (+208) e nos serviços de escritório de apoio administrativo e outros serviços prestados às empresas (+155). 

Em contrapartida, Aracruz (-268) e Sooretama (-205) foram os muncípios que mais encerraram postos em julho de 2021. Em Aracruz, a atividade de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-385) foi a principal responsável pelo saldo negativo de postos formais, enquanto em Sooretama, contribuiu para o encerramento de vagas o cultivo de café (-118).

Informações mais detalhadas a respeito do desempenho setorial tanto para o total do Espírito Santo quanto para os municípios do ES não foram disponibilizadas no painel do Ministério da Economia, mas constarão na Nota Conjuntural do Caged a ser divulgada na próxima semana.

Acompanhe mês a mês no painel abaixo, de forma dinâmica e interativa, a quantidade de empregados admitidos e desligados, além do saldo de postos de emprego com carteira assinada para o Espírito Santo e municípios do ES.


Nota: O Novo Caged capta as movimentações do emprego formal a partir de janeiro de 2020 em substituição ao Caged. Em comparações temporais as diferenças metodológicas entre a série nova e a antiga devem ser ressaltadas. Mais informações no quadro abaixo do painel.


Diferenças metodológicas entre o Caged e o Novo Caged

De 1992 a 2019 as informações sobre o mercado de trabalho formal foram registradas e divulgadas como fonte pelo Caged. A partir de janeiro de 2020, estas passaram a ter como fonte o Novo Caged.

O Novo Caged conta com as informações do eSocial. O eSocial foi instituído em pelo Decreto nº 8.373, de 11 de dezembro de 2014, com objetivo de concentrar em um único sistema diversas informações de empresas e trabalhadores, unificando registros fiscais, previdenciários e trabalhistas. Além do eSocial, o Novo Caged incorpora imputação de dados que vem do antigo Caged e do Web empregador, para complementar informação de desligamento. É, portanto, mais abrangente do que o Caged que só concentrava informações de admissões e desligamentos sob o regime CLT.

A captação de registros de admissões e desligamentos pelo Novo Caged passou a ter maior cobertura, dado que, além dos empregados sob o regime CLT, passou a cobrir os trabalhadores temporários, trabalhadores avulsos, agentes públicos, trabalhadores cedidos, dirigentes sindicais, contribuintes individuais e bolsistas. Estes não eram registrados no Caged ou a declaração era opcional, como a de vínculos temporários, o que para o Novo Caged passou a ser obrigatória. Com estas modificações, o volume das movimentações captadas pelo Novo Caged tende a ser maior. Estas diferenças de captação prejudicam a comparação da série ao longo do tempo, a qual deve ser realizada com as devidas ressalvas metodológicas.

 

Sobre o(a) editor(a) e outras publicações de sua autoria

Bruno Novais

Graduando em Ciências Econômicas pela UFES. Auxiliar na Gerência do Observatório da Indústria, atua na execução de pesquisas primárias, criação e manipulação de bases de dados, e no auxílio em estudos econômicos-conjunturais.