No 1° trimestre de 2021 taxa de desocupação no ES registra 12,9% com 24,8% de subutilização da força de trabalho

O IBGE divulgou em 27 de maio de 2021 o resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua) para o Espírito Santo, referente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2020.

PUBLICADO EM 27 Mai 2021

A movimentação do mercado de trabalho capixaba no 1º trimestre de 2021 apresentou estabilidade em relação ao 4º trimestre de 2020, mas revelou piora na comparação com um ano atrás (1º trimestre de 2020), uma vez que os impactos da pandemia só foram sentidos no final de março de 2020.

A taxa de desocupação do estado passou de 11,1% no 1º trimestre de 2020 para 12,9% no 1º trimestre de 2021. Houve alta de 13% no total de pessoas desocupadas, ou seja, 269 mil pessoas estavam em busca de trabalho no estado nos primeiros três meses do ano. No 1º trimestre de 2020, a taxa de desocupação capixaba (12,9%) foi inferior à do Brasil, que atingiu 14,7%, a mais alta da série histórica iniciada em 2012. No país foram 14,8 milhões de desempregados. Pernambuco e Bahia foram os estados com maiores taxas de desocupação, ambos com 21,3%, seguido por Sergipe (20,9%) e Alagoas (20,0%). Santa Catarina apresentou a menor taxa (6,2%).

Ao considerarmos o percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial (pessoas fora da força de trabalho, mas que gostariam de trabalhar) em relação à força de trabalho ampliada (ocupados, desocupados e força de trabalho potencial), chega-se a taxa composta de subutilização da força de trabalho, a qual possibilita uma análise mais ampliada da demanda por trabalho pela população. Para o Espírito Santo a taxa composta de subutilização foi de 24,8%, alta de 5,9 pontos percentuais em relação ao 1º trimestre de 2020, com cerca de 557 mil pessoas nesta situação. Para o Brasil a taxa também cresceu (5,3 pontos percentuais) e foi maior que a observada para o estado, atingindo o valor de 29,7%, o que representa 33 milhões de pessoas. Entre as unidades da federação, o estado capixaba foi o oitavo com menor taxa, com Santa Catarina com a menor taxa (11,9%) e Piauí com a maior taxa de composta de subutilização (48,7%).

Ocupação

Quanto ao nível de ocupação (total pessoas ocupadas dentro da população em idade ativa), este reduziu em relação ao 1º trimestre de 2020, tanto para o estado (-3,9 pontos percentuais) quanto para o Brasil (-5,1 pontos percentuais). No estado o nível de ocupação foi de 53,6%, superior ao do Brasil, de 48,4%, em que menos da metade da população em idade para trabalhar estava ocupada nos três primeiros meses do ano. O total de ocupados no estado caiu 4,2% em relação ao mesmo período de 2020, para o Brasil a queda foi ainda maior, de 7,1%.

No Espírito Santo, a queda na ocupação sofreu maior influência da redução dos ocupados na informalidade que respondeu por 62% (2,6 pontos percentuais) do recuo de 4,2%. Já no Brasil, foi a ocupação formal que respondeu pela maior parte (57% ou 4,1 pontos percentuais) da queda de 7,1%. No Espírito Santo, a taxa de informalidade foi de 40,6%, superior à média nacional (39,6%). No 1º trimestre do ano, Maranhão foi o estado com a maior taxa de informalidade (61,6%) e Santa Catarina registrou a menor (27,7%).

No Espírito Santo, no 1º trimestre de 2021 em comparação ao mesmo período de 2020, a maior queda na ocupação ocorreu entre os empregadores sem CNPJ (-24,3%), funcionários do setor público com carteira (-20,8%) e trabalhadores domésticos com carteira (-20,1%). Os ocupados no setor privado com carteira também reduziram em 18,9% no estado, para o Brasil esta redução foi de 10,7%. No Espírito Santo, no período, houve alta de 23,0% no total de ocupados por conta própria com CNPJ. O percentual de ocupados por conta própria (com e sem CNPJ) no estado foi de 28,8%, superior à média nacional de 27,8%. Amapá foi o estado com maior percentual de ocupados por conta própria (37,2%) e Distrito Federal com o menor (20,2%).

Os setores de atividade da economia capixaba com maiores reduções de ocupados, na comparação do 1º trimestre de 2020, foram as atividades de alojamento e alimentação (-16,8%), serviços domésticos (-16,3%) e trabalhadores da agropecuária (-13,1%). Por sua vez, as atividades com maior crescimento de ocupados foram as de construção (17,2%) e de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (13,4%). Para o Brasil também houve redução nos ocupados nas atividades de alojamento e alimentação (-26,1%) e de serviços domésticos (-17,3%). Apenas a atividade de agropecuária teve alta de 4% no total de ocupados.

Remuneração do trabalho

Para os ocupados, o rendimento mensal médio do trabalho habitualmente recebido no trabalho principal no 1º trimestre de 2021 foi de R$ 2.269, 8% inferior à média nacional de R$ 2.467. Na comparação com o 1º trimestre de 2020, no estado, houve crescimento de 46,1% do rendimento dos ocupados no setor privado sem carteira e redução de 5,9% do rendimento dos ocupados no setor privado com carteira. O rendimento mensal médio de todos os trabalhos para o Espírito Santo foi de R$ 2.337, abaixo da média nacional de R$ 2.544. O Distrito Federal apresentou o maior valor (R$ 4.345) e o Maranhão o menor (R$ 1.484).

Sobre o(a) editor(a) e outras publicações de sua autoria

Suiani Febroni

Economista graduada na UFES e mestre em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp. Atua como Analista de Estudos e Pesquisas na Gerência do Observatório da Indústria. Pesquisa temas relacionados à atividade econômica, mercado de trabalho e educação.