No 3º trimestre de 2020, taxa de desocupação sobe e atinge 13,9% no ES

PUBLICADO EM 03 Dez 2020

O IBGE divulgou em 27 de novembro de 2020 o resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua) para o Espírito Santo, referente aos meses de julho, agosto e setembro de 2020.

No 3º trimestre de 2020 a taxa de desocupação atingiu 13,9%, alta de 3,3 pontos percentuais em relação do mesmo trimestre de 2019 e de 1,6 pontos percentuais em relação ao 2º trimestre de 2020. O 3º trimestre do ano foi marcado pela flexibilização das medidas de distanciamento social para o combate da Covid-19, o que pode ter favorecido a procura por trabalho, inclusive pelo retorno gradual do funcionamento da maioria das atividades econômicas.

No 1º trimestre de 2020 cerca de 238 mil pessoas estavam à procura de emprego no estado. Com a pandemia, este número se elevou em 20,1%, ficando aproximadamente 285,9 mil pessoas desocupadas no 3º trimestre do ano. Este total é o segundo maior na série da pesquisa, iniciada em 2012, atrás apenas do resultado do 1º trimestre de 2017, em que 287,3 mil pessoas estavam sem ocupação no estado.

Ainda assim, entre os estados, o Espírito Santo é o décimo segundo com menor taxa de desocupação. Santa Catarina foi o estado com a menor taxa (6,6%) e Bahia o estado com a maior taxa (20,7%).

Com o aumento da taxa de desocupação, também houve alta na taxa de subutilização da força de trabalho, que subiu 6 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre de 2019, atingindo 24,9%. Esta é a maior taxa na série disponível desde 2012. No estado foram 555,3 mil pessoas nesta situação.

Entre os componentes da taxa de subutilização, o maior crescimento foi observado na força de trabalho potencial (95,2%). A força de trabalho potencial é formada pelas pessoas que não estavam ocupadas, nem desocupadas na semana de referência, mas que possuíam potencial para se transformarem em força de trabalho.

Para o Brasil, a taxa de desocupação em 14,6% também cresceu em relação ao mesmo trimestre do ano passado (2,8 pontos percentuais) e em relação ao trimestre imediatamente anterior (1,3 pontos percentuais) e a taxa de subutilização atingiu 30,3%, a maior desde o início da pesquisa.

Em totais para o ES: A taxa de subutilização considera as pessoas subocupadas por insuficiência de horas (101,5 mil), desocupadas (285,9 mil) e na força de trabalho potencial (167,8 mil) sobre o total na força de trabalho (2,1 milhões) mais o total na força de trabalho potencial. 

Ocupação

No Espírito Santo, o nível da ocupação (ocupados sobre a população em idade ativa) ficou em 52,7% no 3º trimestre, apresentando queda de 6,7 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre de 2019 e se mantendo estável em relação ao 2º trimestre do ano.

O total de pessoas ocupadas no estado reduziu 8,1% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Na variação trimestre contra mesmo trimestre do ano anterior, esta é a segunda maior queda desde o início da pesquisa, atrás apenas da queda de 9,7% verificada no 2º trimestre de 2020.

A redução das ocupações no 3º trimestre foi mais forte entre os informais. Da redução de 8,1% do total de ocupados, 64% desta redução (5,2 pontos percentuais) ocorreu entre os informais e apenas 36% entre as ocupações formais.

Entre as categorias de ocupação, na comparação com o 3º trimestre de 2019, houve redução de 23,6% nos ocupados em trabalho doméstico, de 14,2% nos ocupados do setor privado, de 11,3% dos empregadores (com e sem cnpj) e de 3,6% nos trabalhadores por conta própria. As categorias que apresentaram alta de ocupações foram de trabalhador familiar auxiliar (32,9%) e de ocupados no setor público (4,4%).

Para o Brasil a queda na ocupação em relação ao 3º trimestre de 2019 foi de 12,1%, ainda maior que a verificada no 2º trimestre (-10,7%), na variação interanual. A queda foi resultado majoritariamente da redução das ocupações informais. No país, as atividades com maior redução de ocupados foi alojamento e alimentação (-29,9%) e serviços domésticos (-26,5%).

Remuneração

No Espírito Santo, o rendimento médio habitual das pessoas ocupadas no trabalho principal foi de R$ 2.223 no 3º trimestre de 2020, apresentando alta de 8,2% em relação ao mesmo trimestre de 2019 e se mantendo estável em relação ao 2º trimestre do ano. Para o Brasil o rendimento médio habitual foi de R$ 2.446.

No estado, a massa de rendimento real habitual de todos os trabalhos das pessoas ocupadas foi de R$ 3,8 bilhões, com queda de 7,8% em relação ao 3º trimestre de 2019. Também para o Brasil a massa de rendimento reduziu (-4,9%), ficando em R$ 205,3 bilhões.

Sobre o(a) editor(a) e outras publicações de sua autoria

Suiani Febroni

Economista graduada na UFES e mestre em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp. Atua como Analista de Estudos e Pesquisas na Gerência do Observatório da Indústria. Pesquisa temas relacionados à atividade econômica, mercado de trabalho e educação.