No ES, taxa de desocupação registra 12,7% em 2020, com menor nível de ocupação da série histórica (54,0%)

PUBLICADO EM 22 Mar 2021

O IBGE divulgou em 10 de março de 2021 o resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua) para o Espírito Santo, referente aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2020.

Os efeitos adversos da pandemia da Covid-19 sobre o mercado de trabalho brasileiro e capixaba continuaram a ser sentidos no 4º trimestre de 2020, ainda que em menor intensidade do que o observado no 3º trimestre do ano. No ano, os principais impactos foram sentidos no aumento da desocupação e na redução da ocupação. Para o Espírito Santo, os resultados destes indicadores ainda foram melhores do que os observados para o Brasil.

No 4º trimestre de 2020, a taxa de desocupação no Espírito Santo ficou em 13,4%, inferior em 0,5 pontos percentuais em relação ao 3º trimestre de 2020 e superior em 3,1 pontos percentuais em relação ao 4º trimestre de 2019. No ano, a taxa média de desocupação nos quatro trimestres foi de 12,7%, a maior desde 2017, quando atingiu 13,1%. Para o país, a taxa de desocupação em 2020 (13,5%) foi maior do que a verificada para o estado (12,7%), sendo o pior resultado anual na série histórica da pesquisa iniciada em 2012.

Em 2020, a taxa de participação da população em idade ativa na força de trabalho capixaba registrou queda, com o menor valor da série histórica (61,8%), assim como o nível de ocupação (54,0%). Para o Brasil, também foi estimado o menor nível histórico destes indicadores. No país, a taxa de participação na força de trabalho passou de 62,0%, em 2019, para 57,0%, em 2020, e, pela primeira vez, desde o início da pesquisa, foi estimado que menos da metade da população em idade ativa do país estava ocupada, registrando um nível de ocupação de 49,3% ante a 54,6% observado em 2019.

A queda destes indicadores foi influenciada pela redução na ocupação. O total de ocupados no país reduziu em 8,8% em relação à 2019. Para o Espírito Santo esta redução foi menor, de 5,8%. A queda na ocupação esteve mais relacionada à redução da população ocupada na informalidade, observada em maior medida, do que à redução dos ocupados formais.

Dos 1,8 milhão de pessoas ocupadas no 4º trimestre de 2020, no Espírito Santo, 39,2% estavam na informalidade. No mesmo trimestre de 2019, esta fatia foi de 40,5%. A redução dos ocupados informais no estado, na comparação com o 4º trimestre de 2019, foi mais intensa nas atividades de serviços domésticos (-35,8%), transporte armazenagem e correio (-21,5%), alojamento e alimentação (-15,8%) e comércio (-10,9%).

Outro indicador importante a ser analisado é a taxa composta de subutilização da força de trabalho, que, por ser um indicador mais amplo do que a taxa de desocupação e é capaz de mensurar melhor a mão de obra não absorvida ou parcialmente absorvida pelo mercado de trabalho. No Espírito Santo, esta taxa ficou em 23,4%, inferior a estimada para o Brasil (28,7%). No 4º trimestre de 2020, a subutilização de mão de obra abrangeu 519,5 mil pessoas no estado.

Para mais informações a respeito do desempenho do mercado de trabalho capixaba no 4º trimestre de 2020, acesse aqui a Nota Conjuntural de Pnad Contínua.

Sobre o(a) editor(a) e outras publicações de sua autoria

Suiani Febroni

Economista graduada na UFES e mestre em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp. Atua como Analista de Estudos e Pesquisas na Gerência do Observatório da Indústria. Pesquisa temas relacionados à atividade econômica, mercado de trabalho e educação.